Um Ato Cirúrgico Antológico

Basta começar o outono para que surjam as podas leigas| Foto: Arquivo

Basta começar o outono para que surjam as podas leigas e quando um trabalho como este; que exige um mínimo de conhecimento científico, habilidade, bom senso e compromisso com a vida é orientado ou realizado por pessoas sem estes predicados; os danos biológicos, paisagísticos e ambientais são imensuráveis; posto que enquanto pensam estarem podando, na verdade, acabam mutilando as plantas; razão por que estamos elaborando este texto, com o objetivo de orientar as pessoas leigas com relação a detalhes mínimos de imprescindível observância; sempre que se pretender podar árvores frutíferas, ornamentais ou arbustos; para que tais prejuízos sejam ao menos minimizados.
Sempre que falamos sobre poda aos nossos alunos,tivemos a preocupação de lembrá-los que a poda é um ato cirúrgico tão meticuloso como outro qualquer; que não entregamos nossa garganta, olhos ou outros órgãos do nosso corpo ou de familiares nossos para que qualquer leigo; a qualquer momento, com qualquer instrumento e a qualquer pretexto os saia cortando e que, entretanto, cometemos este crime com relação às plantas durante os 365 dias de cada no; sem o menor escrúpulo, como se as plantas não tivessem vida. Este assunto é muito mais amplo e metódico do que se possa imaginar; apesar disto, elencamos alguns aspectos fundamentais, mínimos, que jamais poderemos ignorar ao podarmos.
Se perguntarmos a qualquer pessoa leiga sobre época de poda ela nos dirá que esta deve ser feita durante os meses que não tem r. Isto não é por acaso porque coincide com os meses da estação inverno que não o tem. Entretanto e de fato, o período hibernal extrapola a estação inverno; indo desde meados do outono, por vezes adentrando à primavera; posto que é determinado peloinício e pelo fim do frio do inverno. Poder-se-ia dizer que este é o período em que, afora a poda de reconstrução que deve ser feita sempre que houver um acidente com uma planta; se pretendermos recompô-lae a poda de limpeza, deverão ser realizadas a maioria das podas; entretanto, ainda há que se considerar alguns aspectos decisivos e até limitantes como:
1- Se cortamos uma planta ou ramos desta cedo demais, a cicatrização dos cortes só se dará ao final do período do frio hibernal; sendo que cada ramo cortado ficará vulnerável ao ataque de fungos e até mesmo secando parcialmente, durante todo esse tempo. O ideal é que se corte o mais próximo possível, do surgimento da nova brotação ou seja, bem ao final do frio de inverno, para que a cicatrização seja imediata.
2- Plantas ou ramos cortados durante o período hibernal emitem novos ramos vigorosos; independentemente do fato de os cortes serem realizados no início ou no final do período; o que é importante especialmente para as podas de formação, condução, frutificação ou de rejuvenescimento.
3-Plantas ou ramos cortados entre meados da primavera e final do verão emitem tufos de pequenos ramos; dando um aspecto de vassoura.
4-Plantas ou ramos cortados durante o outono, dada a proximidade do inverno e, por consequência, o fato de as plantas já estarem entrando no período de dormência vegetativa,produzem ramos curtos; razão por que só se deve podar durante esse período, plantas cujos ramos estejam se encontrando e se mutilando no choque com os de outras plantas vizinhas; descartando-se aqui, qualquer poda de rejuvenescimento ou de reestruturação de plantas ornamentais.
5-No caso de frutíferas que exigem poda anual de frutificação (videira, pessegueiro e nectarineira, ameixeira, macieira e figueira); sempre que possível, a poda deve ser realizada bem ao final do frio hibernal. A floração dos pessegueiros precoces e do ipê roxo são o sinalde que o frio está expirando; se o número de plantas nos permite, este é o momento da poda; para evitar que podas antecipadas provoquem a emissão de brotos e a abertura de flores que estarão vulneráveis a serem queimados por geadas tardias ou não. Esta poda exige que o podador conheça os órgãos de frutificação de cada espécie e suas peculiaridades.
6-As plantas ornamentais devem ser conduzidas desde pequenas e de maneira permanente, conforme a forma que se pretenda dar às mesmas, para evitar que tenhamos que fazer podas drásticas; até porque muitas delas não toleram podas drásticas e, mesmo para aquelas que a aceitam, é importante quando houver necessidade de alguma alteração de desenho( forma), que isto seja feito poralguém habilitado e respeitando-se um mínimo de vocação e de peculiaridades da espécie a ser podada.
7-Sempre que houver a necessidade de poda drástica em ramos mais lignificados, especialmente e com diâmetrosuperior a mais ou menos 0,5 cm, é importante tratá-los com uma pasta fúngica com impermeabilizante…
8-Há que se considerar ainda, que quando se tratar de plantas ornamentais ou não, de logradouros, praças ou jardins públicos, a questão paisagística faz parte do patrimônio cultural público; portanto, não se pode dar a este, um tratamento como se privado fosse.
9-Mais que qualquer outra atividade, o ato de podar é um trabalho antológico que mais que prazeroso, deve ser um ato amoroso para quem o realiza; portanto, quem não estiver em perfeita sintonia com os beija- flores,deve evitar orientá-lo, executá-lo e sequer deve passar perto de quem o esteja executando; para não afetar o antologismo da obra!
SLG 29/03/17
Prof. Orci dos Santos Machado |Guia São Luiz

 

loading...

1 Comentário

  1. Mais um ótimo texto meu amigo, tens propriedade e conhecimento sobre, pena que existem muitos leigos no assunto, pessoas que nunca pegaram uma tesoura de poda e, ao ter contato com a ferramenta saem por ai fazendo danos, lamentável.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *