Orci Machado – O Alimento e a Mercadoria

O ALIMENTO E A MERCADORIA

 Gostaríamos, antes de entrarmos no tema objeto deste título, de sugerir a quem não tenha assistido o Globo Repórter de ontem que procure fazê-lo e a quem assistiu; que reflita profundamente sobre tudo o que os cicilianos; tanto produtores, quanto consumidores de alimentos falaram e mostraram durante o mesmo.

Da mesma forma, gostaríamos de aproveitar algumas informações trazidas e socializadas pelo engenheiro agrônomo Marco Aurélio Pileco, chefe do Departamento Técnico da coopatrigo, amigo que consideramos e respeitamos tanto como pessoa, quanto como profissional; nosso aluno na 5ª ou 6ª série do então 1º grau no Polivalente que, após voltar do Japão, onde fizera algumas visitas e contatos técnicos com os japoneses; em entrevista à Rádio São Luiz, falou sobre questões chaves e que os mesmos seguem com um rigor japonês, com relação à produção de alimentos.

A respeito do lançamento de agrotóxicos; preferivelmente chamados de defensivos agrícolas e não por obra do acaso, disse “ como o peixe é a base de sua alimentação, ao lado do arroz, eles não lançam qualquer produto no mercado, que possa prejudicar ou atingir os peixes e que lá compram-se defensivos agrícolas em qualquer esquina sem a necessidade de receituário( por óbvio*) e com relação ao arroz, falou que os mesmos não preocupam-se com a quantidade e sim com a qualidade”. Aproveitamos estas informações trazidas pelo Pileco para embasar e ratificar o que há muito viemos afirmando; que quando alguém produz alimentos para si e para os seus, a qualidade é fator prioritário; assim como faziam nossos pais e avós; algo que muitos produtores conscientes de sua responsabilidade enquanto produtores de alimentos ainda insistem em fazer; apesar de todas as adversidades decorrentes do comprometimento do solo, água, ar e plantas; tanto por agrotóxicos, quanto pelas contaminações generalizadas e inevitáveis de plantas, provocadas pela ganância das “senhoras” da engenharia genética que, voluntariamente, se apropriaram da vida e do mundo; sobrepondo-se a tudo e a todos; inclusive criando legislação própria para lhes dar sustentação com relação a isto!

É inevitável refletirmos sobre a diferença conceitual e real entre o que é alimento e o que é mercadoria; posto que o alimento está a serviço da vida e a mercadoria a serviço do lucro. Então, enquanto a agricultura produz o alimento propriamente dito ela é agro alimento e quando ela passa a chamar-se agro negócio, o próprio nome ratifica e clareia o conceito; que é a agricultura a serviço do negócio e não mais da vida; então, aquilo que antes era alimento deixa de sê-lo e passa a ser mercadoria; porque está a serviço do negócio; onde o que importa é a quantidade a qualquer custo e para sustentá-la, buscam-se justificativas e laudos daqueles que deveriam ser os mais respeitados laboratórios, órgãos de pesquisa, órgãos deliberativos, cientistas e técnicos para tentarem dizer que apesar de todo o pacote agrotoxicológico embutido no pacotão das comódites ainda possa existir qualidade! Os órgãos consultivos e deliberativos apenas servem para dar legitimidade às intenções das multinacionais; confirmando tudo o que afirmam seus pesquisadores porque nestes, os cientistas e técnicos comprometidos com a vida jamais atingem um terço do número de seus membros.

Prof. Orci dos Santos Machado
• Nossa observação, pelo rigor da cultura japonesa.

1 Comentário

  1. Mais um texto de fundamento, uma reflexão importante sobre a produção de alimentos que cada vez mais está prejudicada e envenenada pela busca do lucro, infelizmente.

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