Orci Machado – UMA CARONA PARA A LEITURA

Gostaríamos de fazer uma sugestão de leitura, no momento em que a Rede Globo de Televisão está apresentando a série Os Dias Eram Assim; um fiel retrato do que foi a repressão a todos aqueles que se opunham ao poder, durante a ditadura militar; gerando prisões, espancamentos, torturas de toda ordem, morte e desaparecimento de muitos; sendo que somente as paredes silenciosas das masmorras poderiam dar notícias de uma imensa parcela destes; da qual até hoje ninguém tomou conhecimento; além dos muitos que tiveram que abandonar a pátria e viver no exílio; sob a égide ditatorial “Brasil, ame-o ou deixe-o”; onde o amar significava submeter-se às ordens ditatoriais sem qualquer questionamento ou reflexão; gerando cicatrizes incuráveis na alma dos brasileiros!

Obviamente isto não aconteceria apenas no Brasil, a América Latina inteira passaria por esse processo; além de países de outros continentes, posto que isto era uma encomenda antiga do Plano Marschall e sempre que houvesse resistência, onde houvesse, todo o tipo de força e arbitrariedade seriam usadas para a garantia do atendimento a essa encomenda .

Findo o período do exílio, o Luiz Puntel que era professor, começaria a receber em suas aulas, uma gurizada estrangeira; eram os filhos de brasileiros exilados, nascidos extraviados pelo planeta durante esse período. Então o Puntel escreveria Meninos Sem Pátria, um livro pra rir e pra chorar; foi isto o que aconteceu comigo durante sua leitura; sendo que para mim, durante o livro inteiro, parecia que o autor era o próprio personagem dada a intensidade, não casual, com que vivi essa leitura e somente ao final desta, foi que dei-me conta de que Puntel era o autor e não o personagem. A quem ainda não o leu, sugerimos que o faça, vale a pena!

Nada acontece isoladamente e assim, conforme já justificamos, não o foram o golpe militar de 1964, sustentado a ferro, fogo e masmorra; o surgimento do livro do Puntel, nem a série Os Dias Eram Assim. Tudo está intimamente interligado e retratando uma realidade que não pode ser ignorada e que deve servir para orientar nossos passos e nosso caminho daqui para a frente. Já corremos, recentemente, o risco de retrocedermos a 64; ainda não estamos totalmente livres disto e é imprescindível considerarmos que, apesar de todos os pesares; de toda a realidade política que estamos vivendo e que dá respaldo a muitos interessados na depreciação e desmoralização da classe política; o único caminho viável ainda é o caminho político, inevitavelmente e somente o caminho que nos permitiu chegar até aqui e descobrir tudo o que até então estava encoberto; pode nos conduzir ao futuro!

Obviamente não estamos falando de partido político, sobre o que falaremos num próximo texto; estamos falando de ideia, de ideologia e, embora tentem dizer que há ideologia de centro; isto não é verdade, esta não existe; posto que os que se dizem centristas são, sempre, aliados do mais forte ou de quem está no poder. Então restam, de fato, a ideologia de Jorge Marschall, chamada de direita e alicerçada no eixo razão-cifrão e a ideologia chamada de esquerda, alicerçada no eixo coração-razão. Num momento como o que estamos vivendo, muita falsa liderança surge e se apresenta; inclusive já se vê e ouve o nome de um herdeiro da chefia das masmorras ditatoriais, sendo endeusado por muitos acéfalos!

Política é coisa séria e todas as experiências vividas neste país ao longo das últimas 06 décadas, especialmente, devem nos servir de subsídio para que não nos percamos, correndo o risco de pegarmos o caminho que possa nos levar de volta às trevas!

Orci dos Santos Machado – SLG 10/06/2017

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