Aluno da UFRGS idealiza propostas para um futuro ecológico em São Luiz Gonzaga

Trabalho de Conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul aborda sustentabilidade, turismo, economia e cultura.

* Lucas Dorneles Magnus

No dia 4 de agosto deste ano de 2017, foi apresentado, na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, o Trabalho de Conclusão do estudante, agora arquiteto e urbanista, Lucas Magnus, intitulado “São Luiz Gonzaga: Palimpsesto Missioneiro”. O trabalho, que aborda a temática do planejamento urbano, foi indicado para representar os trabalhos de sua turma na premiação acadêmica Arquisur, que envolve trabalhos de destaque em universidades públicas de toda a América do Sul. O curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS é considerado um dos melhores da área no Brasil, segundo o MEC.

A palavra palimpsesto, no título, refere-se a um conceito cunhado pelo Geógrafo David Harvey, que serviria para apontar a sobreposição de camadas de cidades que se acumulam sobre um mesmo território ao longo do tempo. Seria, pois, um “palimpsesto missioneiro”, visto que se tratou de estudar as diversas camadas que compuseram, não só a história dos fatos que se sucederam em São Luiz Gonzaga, mas também a história da sobreposição de estruturas físicas que nesse lugar existiram e ainda existem, para buscar, a partir daí, uma ressignificação para a vocação da cidade, atualmente voltada predominantemente para as agroindústrias e para o setor comercial.

O resultado do trabalho foi uma proposta de Programa de Resiliência Urbana, detalhado por quatro Planos Urbanísticos articulados, aplicados sobre a área Leste da cidade, na região entre o trevo de Jayme Caetano Braum e o frigorífico. Esses quatro planos urbanísticos abordariam quatro questões consideradas pelo autor como chaves para alcançar o desenvolvimento sustentável dessa cidade: o gerenciamento de resíduos orgânicos para produção de alimentos, a revitalização de córregos e rios urbanos, o incentivo à educação e o incentivo à economia através da valorização cultural. Essas quatro ideias são projetadas nos espaços da cidade na forma de circuitos urbanos, ou seja, caminhos que a população, e também turistas, poderiam percorrer, a pé, de bicicleta ou sobre os trilhos de trem, encontrando ao longo desses circuitos uma série de atividades de lazer, cultura, educação, entre tantas outras.

Esses caminhos articulariam pontos dessa região da cidade que o autor considera como lugares com potencial paisagístico, de lazer para a população, e turístico, dando ênfase a reutilização de edificações existentes, tais como a antiga fábrica de óleo, os silos horizontais em frente a essa fábrica, a estação de trem, entre outros. O principal circuito proposto é o turístico histórico, que ocorreria ao longo da linha de trem, tendo como principal chamariz, para quem passa pela rodovia, a revitalização do Silo Torre pertencente à Coopatrigo. Ele seria, na proposta, mantido enquanto silo de armazenamento, mas recebendo, no topo de um dos silos, um mirante com vista para toda a região. Ao percorrer esse caminho o visitante percorreria as diversas camadas que compõe a história da cidade, desde a natureza nativa e primitiva, passando pela Redução Jesuítica, pela chegada da colonização do Século XIX, das guerras e revoltas que destacaram a cidade, da rápida industrialização da metade do Século XX e por último, da formação da cultura artística através da música missioneira.

O autor passou um ano e meio em pesquisas para chegar ao resultado até então existente, e aponta que esse resultado é apenas uma fotografia de um processo em movimento: “Não podemos imaginar que uma pessoa, ou mesmo uma equipe de profissionais qualificados será capaz de projetar uma solução definitiva para um problema ou necessidade na escala de uma cidade. Quando eu projeto algo, estou levantando apenas uma hipótese, para quem sabe, a partir daí, iniciar um diálogo com a população e agentes interessados. Acredito que seja esse o papel do arquiteto urbanista, o de traduzir e ser o facilitador nessa conversa entre tantas pessoas diferentes quando o assunto é a cidade, sobretudo sobre o espaço público.”

O trabalho Palimpsesto missioneiro está sendo promovido em uma página de facebook, chamada “Estudos Missioneiros” <http://facebook.com/estudosmissioneiros>. O autor está à disposição para dialogar com quaisquer interessados: “Me formei em uma universidade pública, considerada uma das melhores do país, num dos melhores cursos do país. Apesar das dificuldades, o curso foi gratuito, então é minha obrigação moral devolver a sociedade todo o investimento feito. Esse trabalho foi uma tentativa de devolução. Nada melhor do que aprender mais, e compartilhar conhecimentos e experiências.”

 

* Lucas Dorneles Magnus – Arquiteto e urbanista – Pesquisador na área de sustentabilidade urbana

Graduado Lucas Dorneles Magnus, 27 anos, residente a 10 anos em Porto Alegre (2007-2017), 8 anos em Horizontina (1999-2007), e a infância em São Luiz Gonzaga (1990-1999). Família por parte de mãe toda originária de São Luiz Gonzaga. Como recém graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFRGS, tem interesse de atuação em Projetos arquitetônicos, porém busca especialização em Planejamento Urbano e regional e sustentabilidade urbana. Atualmente atua como autônomo e é pesquisador acadêmico na área de sustentabilidade urbana e metabolismo urbano. Sou amante do nativismo e da cultura missioneira.

Contatos:
E-mail: [email protected]
Whatsapp: (11) 965822804
Facebook: http://facebook.com/arqmagnus

1 Comentário

  1. Adriano Lopes Bueno

    Parabéns pela iniciativa Lucas, é fundamental pensar na possibilidade de contribuir com a cidade onde tudo começou(cidade natal), também tive a oportunidade de contribuir para minha cidade na minha área de formação. Acredito que se todos nós pensássemos na coletividade e pudéssemos socializar algo aprendido, viveríamos em um lugar ainda melhor. Que sirva de exemplo para aqueles que ainda propagam em desdenham e afirmam na querer retornar e muito menos contribuir para esse chão missioneiro.

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