Opinião – PRINCÍPIOS DA ÉTICA NA GESTÃO PÚBLICA

José Konzen*

Em uma crescente evolução, o assunto ética vem ganhando espaço em todas as rodas de conversa, gerando debates, angariando territórios cada vez maiores, envolvendo todas as classes, culturas e credos em uma mesma e incessante busca, de garantir a convivência em uma sociedade mais responsável eticamente. Embora tenha ocorrido inúmeros avanços nos últimos anos em relação a transparência na ética da gestão pública, ainda existe um hiato entre as normas referidas e as ações praticadas. Este cenário provoca incertezas diante de tais atitudes que desconfiguram a razão de ser da gestão pública, que tem por preceito ocupar-se da defesa, conservação e aprimoramento dos bens, serviços e interesses da coletividade. Compreende-se que a ação ética deve nortear a conduta dos indivíduos, porém, percebe-se que muitas ações políticas e administrativas não correspondem aos anseios éticos e transparentes demandados pela sociedade.

Compreende-se que a ética deve perpassar todos os princípios estabelecidos para que a função pública tenha êxito. Neste sentido, é inegável a importância do controle jurídico, administrativo e social sobre as práticas realizadas, como fiscalizador e norteador das normas e ações, objetivando alcançar a sua finalidade última, de propor serviços eficazes que atendam os anseios da população.

Neste sentido é importante despertar questionamentos em relação a postura ética da sociedade e de seus administradores, pois este debate é profícuo para que se tenha uma construção coletiva mais cidadã, que saiba estabelecer juízos diante do que é certo ou errado, o que é bem ou mal, justo ou injusto, exercendo princípios éticos.

Sabe-se que a mudança ética que se almeja na Administração pública é gradativa, porém necessária, e implica em uma transformação cultural dentro da estrutura organizacional da Administração Pública, e da sociedade como um todo, através da reavaliação dos valores morais e educacionais.
É importante destacar que em meio a tantos episódios de corrupção, existem pessoas muito éticas, conscientes, qualificadas e preocupadas com o serviço público e com o bem comum, como em qualquer outro ambiente profissional, não cabendo generalizações. No entanto, para que este comportamento se propague é necessário que se invista em preparação e atualização dos agentes públicos proporcionando-lhes condições de conhecer as melhores técnicas e os melhores meios afim de que possam atingir a excelência no serviço prestado.

Por fim, através destas análises espera-se replicar debates e ações coerentes com o que se almeja da sociedade dos administradores, cientes de que a mudança de postura é uma construção coletiva, alicerçada primeiramente em ações individuais.

* José Konzen – Acadêmico do 9º Semestre do Curso de Administração – Uri São Luiz Gonzaga

1 Comentário

  1. Adriano Lopes Bueno

    Ótimo artigo de opinião. Esperamos realmente como parte da sociedade que nossos administradores da máquina pública pensem na mudança de postura e suas ações antes de implantar um projeto ou destinar verbas públicas em uma determinada área do município, estado ou país.

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